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Vice-presidente da Abrasel no Pará, o chocolatier Fabio Sicilia explica o sucesso da produção de chocolates no estado

A linha do tempo do cacau é repleta de fatos pitorescos (e deliciosos). Com berço na América do Sul, a iguaria foi levada à América Central entre 1500 aC e 200 dC. Lá, no sul do México, os maias faziam do fruto e da bebida amarga dele extraída uma oferenda aos deuses; posteriormente, já entre os astecas, a relação entre o cacau e sua bebida com as divindades se acentuou - desta vez, como oferenda ao deus Tenochitlán. Nesse período, a bebida também é consumida entre os nobres astecas como sinal de status.

Envolta em misticismo e riqueza - com status de "ouro vegetal" - a trajetória do cacau e do chocolate (iguaria extraída do processamento do fruto) transcorreu em muitos séculos até chegar ao conhecimento dos colonizadores e, na Europa, ganhar uma mistura toda especial, que, com a adição do leite e do açúcar, chega à versão que hoje conquista o paladar do mundo todo.

Trata-se de um mercado amplo e diversificado, que, hoje, foca diferentes segmentos, do Ocidente ao Extremo Oriente, do frio ao calor tropical, conquistando pessoas através de novas receitas, sabores e peculiaridades, para atingir variadas culturas, classes sociais e hábitos de consumo.

Artesão da riqueza, sabor e prazer

Séculos se passaram, e o chocolate nunca parou de se reinventar, fazendo com que cada região criasse novas receitas, adequadas ao paladar sofisticado e ao popular. A iguaria também deu origem a impérios industriais, fazendo jus ao título de "ouro vegetal" - impérios, estes, atualmente coexistem com empresas familiares, verdadeiras artesãs do sabor, especializadas em transformar o cacau em formas distintas de chocolate que convidam ao prazer.

Um dos principais exemplos de que há muito espaço para que o chocolate se reinvente e conquiste novos paladares é a Gaudens Chocolate, de Belém (PA). Fundada em 2013 pelo chef master com especialização de chocolatier Fabio Sicilia, a empresa segue conquistando gostos e preferências mais requintadas através do convite ao estímulo sensorial do consumo do chocolate. Tudo é pensado e produzido com o objetivo de despertar sensações: desde o aspecto visual do produto, até as embalagens, o sabor e a consistência que se dissolve no contato com a boca.

"Historicamente, o chocolate está ligado ao prazer, à alegria, ao bem-estar. Mais do que isso: sempre foi, e ainda é, um produto valioso. Justamente por isso, na Gaudens, prezamos pela história e valor do cacau e do chocolate, usando-o com esmero, com cuidado nas misturas com ingredientes nobres, preservando o percentual adequado do fruto para que possa ser apreciado sensorialmente, resultando em uma experiência única, mas que sempre convide ao prazer de saborear algo delicioso, diferente, sofisticado", afirma Sicilia, que, pela primeira vez, teve a oportunidade de apresentar suas criações ao público paulista durante a Chocolat São Paulo 2019, feira que aconteceu de 12 a 14 de abril, no espaço da Bienal.

Quem visitou os três dias de feira pôde conhecer produtos únicos desenvolvidos pelo chef, como, por exemplo, o Brownetone (um brownie em formato de Panettone) e a Castella (pasta que mescla cacau, castanha-do-pará e açúcar orgânico). Inclusive, a iguaria já foi pauta de matérias em publicações especializadas e na grande mídia, nas quais ganhou a alcunha de "Nutella brasileira" - título, este, que Sicilia questiona. "São propostas diferentes e matérias-primas diferentes. E, claro, convido a todos a procurar pela Castella e provar, comprovando, com os sentidos, o que estou dizendo", brinca.

Aliás, estímulos e convite ao prazer permeiam toda proposta de marca da Gaudens, que, paulatinamente, prepara-se para deixar Belém e se expandir para outros mercados diferenciados do Brasil. O nome da marca - Gaudens - significa orgasmo em latim. "É uma evocação ao prazer através do chocolate. Queremos evocar o êxtase sensorial em nossos consumidores", diz Sicilia.

Agora, a Gaudens anuncia outra novidade: a Cripioca, que renova o conceito de chocolate "crisp" adicionando mais crocância e consistência a partir da união entre o cacau paraense e a farinha de tapioca produzida regionalmente, no interior do estado. "A ideia é substituir os tradicionais flocos de arroz por um ingrediente único, nosso, do interior do Pará. Além do sabor diferenciado, ainda asseguramos uma crocância maior, que pode ser conferida tanto pelo paladar, como auditivamente também", destaca o chef.

Mercado que vale ouro

Por trás das inovações, está um mercado que movimenta recursos e dinheiro, tanto no Brasil, quanto no exterior. À medida que o produto chocolate se diversifica, a procura por cacau de excelência também aumenta. Atualmente, Pará e Bahia, respectivamente, são responsáveis por grande parte da produção nacional do fruto -, mas há margem para crescer e conquistar novas fronteiras. Em 2018, o cacau foi responsável por movimentar cerca de R$ 14 bilhões, um crescimento de 8% que coloca o fruto entre os oito principais produtos agrícolas do Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No Pará, por exemplo, o cacau já deixou de ser apenas um produto de exportação para integrar, também, a rota turística do estado, dividindo espaço com outros produtos tipicamente made in Pará, como o açaí e a castanha. Desde que expôs a marca pela primeira vez durante a terceira edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia, em Belém, Fábio Sicilia segue fiel ao conceito de levar o cacau paraense a novos e sofisticados paladares. Um dos principais diferenciais dos chamados "produtos de varejo ou de consumo" é que a porcentagem mínima de cacau nos chocolates Gaudens é de 50%. "Isso, juntando outros produtos de nossa região, com o objetivo de criar sabores únicos", afirma.

Envolta em misticismo e riqueza - com status de "ouro vegetal" - a trajetória do cacau e do chocolate (iguaria extraída do processamento do fruto) transcorreu em muitos séculos até chegar ao conhecimento dos colonizadores e, na Europa, ganhar uma mistura toda especial, que, com a adição do leite e do açúcar, chega à versão que hoje conquista o paladar do mundo todo.

Trata-se de um mercado amplo e diversificado, que, hoje, foca diferentes segmentos, do Ocidente ao Extremo Oriente, do frio ao calor tropical, conquistando pessoas através de novas receitas, sabores e peculiaridades, para atingir variadas culturas, classes sociais e hábitos de consumo.

Artesão da riqueza, sabor e prazer

Séculos se passaram, e o chocolate nunca parou de se reinventar, fazendo com que cada região criasse novas receitas, adequadas ao paladar sofisticado e ao popular. A iguaria também deu origem a impérios industriais, fazendo jus ao título de "ouro vegetal" - impérios, estes, atualmente coexistem com empresas familiares, verdadeiras artesãs do sabor, especializadas em transformar o cacau em formas distintas de chocolate que convidam ao prazer.

Um dos principais exemplos de que há muito espaço para que o chocolate se reinvente e conquiste novos paladares é a Gaudens Chocolate, de Belém (PA). Fundada em 2013 pelo chef master com especialização de chocolatier Fabio Sicilia, a empresa segue conquistando gostos e preferências mais requintadas através do convite ao estímulo sensorial do consumo do chocolate. Tudo é pensado e produzido com o objetivo de despertar sensações: desde o aspecto visual do produto, até as embalagens, o sabor e a consistência que se dissolve no contato com a boca.

"Historicamente, o chocolate está ligado ao prazer, à alegria, ao bem-estar. Mais do que isso: sempre foi, e ainda é, um produto valioso. Justamente por isso, na Gaudens, prezamos pela história e valor do cacau e do chocolate, usando-o com esmero, com cuidado nas misturas com ingredientes nobres, preservando o percentual adequado do fruto para que possa ser apreciado sensorialmente, resultando em uma experiência única, mas que sempre convide ao prazer de saborear algo delicioso, diferente, sofisticado", afirma Sicilia, que, pela primeira vez, teve a oportunidade de apresentar suas criações ao público paulista durante a Chocolat São Paulo 2019, feira que aconteceu de 12 a 14 de abril, no espaço da Bienal.

Quem visitou os três dias de feira pôde conhecer produtos únicos desenvolvidos pelo chef, como, por exemplo, o Brownetone (um brownie em formato de Panettone) e a Castella (pasta que mescla cacau, castanha-do-pará e açúcar orgânico). Inclusive, a iguaria já foi pauta de matérias em publicações especializadas e na grande mídia, nas quais ganhou a alcunha de "Nutella brasileira" - título, este, que Sicilia questiona. "São propostas diferentes e matérias-primas diferentes. E, claro, convido a todos a procurar pela Castella e provar, comprovando, com os sentidos, o que estou dizendo", brinca.

Aliás, estímulos e convite ao prazer permeiam toda proposta de marca da Gaudens, que, paulatinamente, prepara-se para deixar Belém e se expandir para outros mercados diferenciados do Brasil. O nome da marca - Gaudens - significa orgasmo em latim. "É uma evocação ao prazer através do chocolate. Queremos evocar o êxtase sensorial em nossos consumidores", diz Sicilia. Agora, a Gaudens anuncia outra novidade: a Cripioca, que renova o conceito de chocolate "crisp" adicionando mais crocância e consistência a partir da união entre o cacau paraense e a farinha de tapioca produzida regionalmente, no interior do estado. "A ideia é substituir os tradicionais flocos de arroz por um ingrediente único, nosso, do interior do Pará. Além do sabor diferenciado, ainda asseguramos uma crocância maior, que pode ser conferida tanto pelo paladar, como auditivamente também", destaca o chef.

Mercado que vale ouro

Por trás das inovações, está um mercado que movimenta recursos e dinheiro, tanto no Brasil, quanto no exterior. À medida que o produto chocolate se diversifica, a procura por cacau de excelência também aumenta. Atualmente, Pará e Bahia, respectivamente, são responsáveis por grande parte da produção nacional do fruto -, mas há margem para crescer e conquistar novas fronteiras. Em 2018, o cacau foi responsável por movimentar cerca de R$ 14 bilhões, um crescimento de 8% que coloca o fruto entre os oito principais produtos agrícolas do Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No Pará, por exemplo, o cacau já deixou de ser apenas um produto de exportação para integrar, também, a rota turística do estado, dividindo espaço com outros produtos tipicamente made in Pará, como o açaí e a castanha. Desde que expôs a marca pela primeira vez durante a terceira edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia, em Belém, Fábio Sicilia segue fiel ao conceito de levar o cacau paraense a novos e sofisticados paladares. Um dos principais diferenciais dos chamados "produtos de varejo ou de consumo" é que a porcentagem mínima de cacau nos chocolates Gaudens é de 50%. "Isso, juntando outros produtos de nossa região, com o objetivo de criar sabores únicos", afirma.

Fonte: Terra



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